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Uma fenda no tempo

Posted by Blogueira on 20:50 in




 Se o exercício de distração de Einsten sobre a possibilidade de viajar no tempo estivesse certo, eu ficaria feliz. Primeiro, voltar no tempo seria uma realidade. Segundo, voltando no tempo, inúmeras situações poderiam ser evitadas ou praticadas. No entanto, apesar de a realidade, muitas vezes, me parecer uma ilusão, ela é a única possibilidade que sou capaz de refletir sobre.
Acredito que, se as pessoas pudessem voltar no tempo, seria um privilégio de poucos, assim como as melhores tecnologias para usos domésticos e até mesmo na área da saúde. Voltar no tempo não seria algo democrático como a morte. Imagino uma espaçonave que o fizesse, quem teria acesso a ela? Tudo de melhor está destinado aos ricos. O mundo se divide entre aqueles que têm dinheiro e aqueles que não têm dinheiro.
Mas, sonhando, aqui neste blog, com a possibilidade de uma fenda no tempo... seria fantástico, não? Algo que a minha geração, nem a sua, caro leitor, jamais desfrutará. Voltar no tempo é tão inacreditável para mim quanto a existência de alienígenas. Posso afirmar que transcende ao que eu sou capaz de acreditar. Minha mente não é capaz de ver além. Por isso, penso que, caso existam alienígenas, é algo que ninguém nunca de fato viu. Por que as pessoas que afirmam terem visto alienígenas sempre os descrevem com traços razoavelmente humanos? Olhos, mãos ou patas, tronco etc. Algo sempre parecido com o que estamos acostumados. Se existissem alienígenas, seria muito complicado descrever. Pense, caro leitor, em descrever algo que nunca vimos antes... Missão complicada. Olhos, bocas, mãos, chifres, patas... e blá blá... me parecem invenções.

Voltando à fenda no tempo, imaginemos um candidato a voltar no tempo, sem a garantia de volta, sem a garantia de vida ou morte. Candidatos para ir à Lua ou Marte acho fácil. Mas candidatos para ir ao Sol? Complicado! Mesmo assim, continuo a pensar na questão de entrar em um canal e esse canal me conduzir a um mundo que eu já conheço, a uma realidade que já vivi. Sensacional! Ver a mim mesma, ver como eu era, sem ser a reflexão de um espelho ou uma foto. Dar de cara comigo. Dizer do que eu mudei. Dizer do que eu passei e de tudo que eu ainda não sei. Dar de cara com aqueles que amo, com os que se foram para outra dimensão, mas que, naquele momento, estão ali, diante de mim, poder abraçar aqueles que nunca tive coragem, corrigir os erros, jamais cometê-los. Regressar, viver o que a covardia não deixou. Na verdade, outra questão que vem à tona é: se eu voltasse no tempo daria de cara comigo ou poderia, novamente, viver a vida que hoje eu queria ter vivido antes? Mas voltar ao tempo resolveria a minha vida? A sua? De uma maneira geral, evitaria mortes, acidentes? Ou seria a vida seguidora de seu rumo? Um destino traçado? Quem pode saber? Quem poderá me responder? Duvido alguém. Imagino, ainda, dar de cara comigo agora com aparência de uns 10 ou 15 anos mais velha. Imagino, agora, se já não voltaram no passado e, por fim, este presente é o futuro modificado no passado. 

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É burrice!

Posted by Blogueira on 19:16 in
Tenho o hábito de advertir meus alunos quando dizem pérolas do tipo “truxe” ou “nós vai”. Talvez faça parte da minha função. No entanto, é muito deselegante algumas pessoas corrigirem outras em redes sociais devido ao mau uso da língua. Ou melhor, devido ao uso que os deselegantes consideram inadequado.
Como profissional, uma palavra, ortograficamente incorreta, não me incomoda tanto como erros de concordância ou falta de pontuação. Posso até estar equivocada, mas corrigir os erros gramaticais de outras pessoas é nunca olhar para si mesmo. Afinal, ninguém tem um dicionário e uma gramática normativa arquivados no cérebro. Seria bom se tivéssemos, não é mesmo?

Não cabe a nós, meros falantes da língua, apontar erros. Em se tratando da linguagem, tudo é possível, desde que o indivíduo se faça entender. É burrice normatizar a língua em um meio tão amplo como a internet!

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Todos deveriam ler “A Metamorfose”

Posted by Blogueira on 21:09 in , ,
Muita gente sabe do que se trata o livro de Franz Kafka: “A Metamorfose”, mas sei que pouca gente lê os clássicos. Enfim, inúmeras são as justificativas, mas nenhuma aceitável. Desprezando, momentaneamente, a parte intelectual da obra, afirmo que o enredo é, no mínimo, intrigante. Um jovem caixeiro viajante acorda, numa manhã comum, em corpo de um inseto gigante. Sua transformação mudará a sua vida e a vida de sua família no decorrer do texto impecável de Kafka.
Penso que acordar no corpo de um inseto gigante seria, realmente, um dos piores pesadelos. Mas,
muitas vezes, eu me sinto assim e muita gente também. É claro que sempre agradeço ao bom Deus por não ser um inseto gigante, mas inúmeras vezes me sinto como se estivesse no corpo errado e que minha vida não é real, penso: É sonho? Ou melhor: Que pesadelo é esse?
Ler “A Metamorfose” é transformador, tanto do ponto de vista literário, como do ponto de vista de uma pessoa que busca as respostas que jamais encontrará. Mas por que transformador se não me dá as respostas? Porque tudo o que me faz repensar e rever minha forma de encarar a vida e a vida me encarar é transformador (uma metamorfose, ouso afirmar), por mais que não sejamos capazes de perceber, algo nos modifica. É bom! É arte! É Franz Kafka!
Penso que o nome ‘A Metamorfose’ não poderia ter sido melhor, pois ocorrem duas metamorfoses evidentes na obra. Ou seja, duas transformações. A primeira é a mudança do protagonista, a segunda é a mudança das pessoas ao seu redor. Já que a vida muitas vezes imita a arte, gostaria muito que as pessoas não apenas percebessem a mudança uma das outras, mas que mudassem também, um pouco que fosse. A transformação é necessária. Quero aprender o sentido da vida. Quero me revelar para mim mesma, mas tudo é mais complicado se quem está ao nosso lado, que convive conosco, não está no mesmo ritmo. A metamorfose das pessoas é necessária e, quando ela não ocorre, é frustrante para quem já se transformou pelo menos um pouco. Por isso, recomendo ao querido leitor: Mude! Comece lendo Kafka!


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Deprimida

Posted by Blogueira on 16:08 in ,
Esses dias ando meio deprimida, acho que tem um pouco a ver com as músicas que estou escutando no caminho de ida e volta ao trabalho, pois só escuto música durante esse percurso ou de vez em quando antes de dormir. Nunca pensei que Luiza Possi, Marcelo Jeneci e James Blunt podiam deprimir tanto alguém. Quando não é a Luiza com aquela voz linda e meio rouca falando de amor é o Marcelo e o James me fazendo repensar a vida, a minha e a dos outros. Nossa, estou muito depressiva, vou tentar escutar algo mais alegre durante esse trajeto. Ainda por cima, chego no meu trabalho, que não é como todo trabalho, pois, em geral, as pessoas conversam umas com as outras em seus respectivos trabalhos, tomam café, enrolam um pouco e vão trabalhar. No meu trabalho é diferente, eu chego, falo bom dia, dois entre uns dez professores carrancudos respondem, quando um ou outro vem conversar tenho vontade de morrer, porque só sabem reclamar de salário. Pensando bem, quando vejo os professores chego a ter pena dos alunos... Mas minha pena logo se esvai quando entro em sala de aula e sei que tenho que dar aula, o que não é difícil para mim, não posso reclamar, nem posso reclamar muito dos alunos, pois eles me acham animada, jovem, divertida, comentam suas vidas comigo etc. e tal. Talvez o único fardo seja ter que estar sempre disposta para não decepcioná-los. Não decepcionar meus alunos se tornou uma obrigação e fez de mim uma mentirosa, pois eles pensam que não tenho muitos problemas ou que não fico triste, mas o que não sabem é que estou, praticamente, sempre triste. Ainda bem que eles não percebem isso, pois não quero ser como aqueles velhos carrancudos, que são os professores antigos. As professoras mais jovens são aquelas casadinhas recentemente, que dia sim, estão felizes porque fizeram sexo, dia não, estão tristes porque o marido mostrou uma nova faceta desconhecida. Sem paciência para esse perfil de professora. Eu não sei como cada professor é em sala de aula, mas a maioria na sala dos professores me deprime, talvez pensem o mesmo sobre mim, pois não finjo muito quando estou na sala dos professores e faço questão de fazer cara de enfado... Estou, realmente, deprimida...







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Sobre preços de dvd’s e amizades

Posted by Blogueira on 13:29 in , ,
Algo, verdadeiramente, desanimador é tentar assistir uma série americana até o final enquanto ela ainda for moda. Aliás, até depois de sair de moda é desanimador, pois os preços de dvd’s no Brasil não abaixam, e as promoções são todas falsas. Não percebo nenhuma promoção verdadeira no Brasil. Tudo aqui é enganação. O problema é que eu quero muito ver o final de uma série, mas não quero pagar o valor. Como não cair na tentação da falsificação? Meio complicado, não é mesmo? É tão simples, eu caminho até o shopping popular e compro a temporada final por menos da metade do preço. Não sou colecionadora de quase nada, a única coisa que tento ter em casa são livros, mas já perdi vários por emprestar a quem não devolve ou por trocar em dinheiro ou mercadoria. Acho legal quem coleciona e tudo o mais, mas como não sou colecionadora nem crítica de imagem, não percebo, de fato, nenhuma diferença ao assistir um dvd pirata e um original. Queria que alguém me explicasse qual a diferença. Entendo a ilegalidade da coisa e tal, mas não entendo a questão da qualidade. E caso o dvd não funcione ou a imagem esteja ruim, posso, como já o fiz, trocar na banca tranquilamente...
Os valores dos originais não permitem que uma pessoa seja, politicamente, correta. Acredito que o único público fiel mesmo seja o evangélico, devido à abordagem das vendas e à fidelidade, digamos... a Deus?!? Enfim, não quero pagar um preço abusivo. É caro ou eu ganho muito mal. Aliás tudo é caro neste país especialista em impostos. Estou esperando chegar na Netflix, tentando resistir à falsificação, pois já tenho em mente que não vou pagar o valor do final da temporada. Não mesmo! Outra coisa que não deixa de ter a ver com o preço dos dvd’s são as minhas amizades. Sei lá, acho que nunca dei sorte com isso. Geralmente, as pessoas formam grupos, esses grupos têm assuntos em comum, mas parece que só atraio gente que não tem nenhuma familiaridade com meus gostos. E, sabe-se lá por que, essas pessoas que de mim se aproximam cismam que sou a melhor pessoa do mundo, mas são evangélicas, ou casadas, ou pais de família, ou não assistem séries, ou não leem livros, ou não ouvem as mesmas músicas que eu, ou não gostam dos filmes bons... entre muitíssimas outras diferenças. Não sei por qual motivo essas figuras se sentem atraídas a conversar comigo, poxa... nunca têm nem um dvd ou um livro que preste para emprestar... risos... Que azar o meu!



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Sentir culpa incomoda e massacra

Posted by Blogueira on 20:48 in ,
Um dos piores sentimentos é o sentimento de culpa. Existem diversas formas de senti-lo, e todas são cruéis. Não sinto pena de quem sente culpa, pois algo ruim anteriormente cometeu. Eu poderia até sentir pena, se não fosse eu também mais uma a se sentir culpada. E culpada por quê? Por tantos derradeiros e dolorosos motivos que às vezes as palavras não são capazes de informar. Outras vezes, a alma não consegue transpor. Feliz aquele que não se sente culpado por nada. Existe? Sim. Dizem que coração dos outros é terra que ninguém pisa, mas ouso pisar: existem aqueles que não sentem culpa por nada, nunca nada. Privilegiados! Mesmo culpados, não sentem culpa.
Culpa incomoda e massacra. Na verdade, não a culpa em si, ou quando alguém te culpa. O massacre vem de sentir culpa, daí o derradeiro soco no estômago da alma. Tantas palavras de consolo podem ser ditas, tantos abraços, tantos apertos de mão, e nada adiantará, pois aquele que se sente culpado sabe que qualquer consolo não é capaz de apagar a causa desse sentir cruel. Sinto-me, em certos momentos, preenchida por saber que não estou só na imensidão da angústia devastadora que é sentir culpa. Não, não estou só, sempre me sinto acompanhada por aqueles que, assim como eu, estão atormentados, tristes, devastados... Devastados por algo capaz de dominar o pensamento e que nenhum confessionário será capaz de curar. Sentir culpa é ter uma lacuna que jamais será preenchida.

Motivos? Um ou vários, são eles os geradores, mas não são os culpados. Quem são os culpados além daquele que errou? Errei, sendo eu a única culpada. Culpada e condenada. Por quem? Por mim mesma. Há, afinal, algum acusador pior do que si mesmo? A justiça, o mundo, a vida pode absolver, mas se o coração diz não, nada será como antes. E quando vem a lembrança do antes, parece que a vida era diferente e o mundo de outra cor, mas a verdade é que mesmo com tudo diferente algo impulsionou ao erro e errar, por mais clichê que possa parecer, é humano e, sem clichê, ao mesmo tempo, desumano.




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A arte de perdoar

Posted by Blogueira on 19:01 in ,
          Perdoar é uma arte e, sendo uma arte, poucas pessoas dominam. Perdoar exige trabalho, um trabalho espiritual muito forte. Exige passar por cima de sentimentos, costumes, preceitos, opiniões, tudo isso, formando um conjunto: Perdoar é divino! O que me intriga, de certa forma, apesar de não me ser estranho, é o fato de muitos, mesmo sendo incapazes de perdoar, proclamarem aos quatro ventos que não guardam mágoas. Pura mentira! Coitadinhos... Acreditam-se humildes sem saber o significado de humildade e perdão.
            Um exemplo da máxima sofisticação do perdão é o caso de Massataka Ota que sempre lembro, sem querer, quando ouço alguém falando que não guarda mágoas. Massataka Ota teve seu filho de oito anos sequestrado por três homens. Seu filho foi morto no mesmo dia com dois tiros no rosto após ter reconhecido um dos sequestradores: um policial militar que trabalhava como segurança na loja de seu pai. Até aí, apenas mais uma história trágica do nosso desgraçado cotidiano. No entanto, Massataka Ota tem hoje uma fundação que ajuda criminosos assassinos e, pelo menos duas vezes por mês, ele visita o presídio onde estão dois dos assassinos de seu filho. Massataka Ota afirma ter transformado seu ódio em perdão. Infelizmente, em meu ciclo social conheço pessoas que passam o dia com raiva por alguém ter pisado, acidentalmente, em seu pé e sujado seu belo sapato.
            Sinto-me tão pequena, tenho consciência de que não sou capaz de perdoar em muitas situações, por diversas razões. O que me dá raiva é ouvir pessoas tão ou mais miúdas (espiritualmente) do que eu dizendo que são capazes de perdoar ofensas e não guardar raiva. Isso me revolta!  Todo mundo tem o direito de ser o que quiser, eu queria apenas que os discursos fossem coerentes. Nada mais! Seria mais simples, mas a maioria usa máscaras não tão poderosas, no entanto, para muitos, convincentes. O perdão é uma arte, não é algo para qualquer um. É como ópera, todos podem ouvir, mas quem será capaz de chorar deixando suas emoções expostas e sem maquiagem?



(Maio de 2013)

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Falta de inspiração ou de técnica?

Posted by Blogueira on 22:10 in


Não sei se por falta de inspiração ou de técnica, não consigo terminar um conto que iniciei no início do ano. Tarefa difícil essa... Ou seja, há dez meses não consigo dar o desfecho para a obra, é como uma trava. A impressão que eu tenho quando começo a escrever o tal conto é que caí em um buraco e ninguém me jogou uma corda.

Para escrever, é necessário estar inspirado e a técnica faz parte do método de cada indivíduo que deseja escrever. Porém, descobri que, além desses dois fatores, é preciso também sensibilidade e, sensibilidade, não é qualquer um que tem. Vejo esse fator, talvez, como o mais difícil para absorver a atenção de um futuro provável leitor.

Já pensei em não tentar mais escrever algo que, pelo menos, chegue perto de um texto literário. Afinal, por qual motivo tentar algo que não consigo? Mas parar de tentar significa desistir e por que desistir de aprender? Quero aprender a escrever contos, quero encontrar essa fórmula que leva a trabalhos primorosos na Literatura. Se vou conseguir? Não tenho certeza, mas vou tentar, mesmo que me dê muito desânimo e muita vontade de desistir, muitas vezes.






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A fé que não vem

Posted by Blogueira on 21:58 in
Sinto falta de ter mais fé. Queria ser mais crédula, não duvidar tanto, acreditar! Mas sempre me indago sobre o que faz uma pessoa acreditar em algo. Apesar de não ser de todo incrédula, confesso que minhas crenças são um pouco rasas, e isso quer dizer que não são profundas. Também não sei o que é ser profundo, nem sei o que é um “ser” profundo.

Tento me concentrar, medito em torno de mim e daqueles que amo. Tento ter um momento de fé, mas essa fé nem sempre vem e, quando vem, não é a fé que eu acredito ser o ideal de fé. Não sei se isso me torna fraca ou forte. Entretanto, tenho aparência de forte, mas sou fraca, confesso. Em contraponto, acho que confessar minhas fraquezas é o mesmo que expor aquilo que ninguém pode ver: o meu espírito, o meu coração espiritual, não o músculo, pois esse apenas me mantém de pé. Sendo assim, isso me faz forte.


A fé que não vem não é fé palpável que se possa imaginar. Não é fé qualquer! Não é fé que se vai junto com a vela que apaga. Não é fé que se esquece quando o livro de orações é fechado. Não é fé de não comer carne na quaresma. É fé inquestionável e inexplicável e não tenho fé que se possa atingi-la ou, simplesmente, encontrá-la. Não conheço ninguém dono dessa fé. Não conheço... mas quem pode pisar em terrenos alheios e ter certezas que não se tem nem quanto a si mesmo? Quem pode saber o que é fé? Quem é capaz de ter fé? Quem tem fé?



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“O Sonho de Cassandra” e “Match Point”

Posted by Blogueira on 19:51 in , ,
             Disparadamente, os meus filmes favoritos de Woody Allen são "O Sonho de Cassandra" e "Match Point". Primeiro, porque remetem a um dos meus livros favoritos: Crime e Castigo. Segundo, porque são histórias, particularmente, diferentes, mas que remetem à mesma temática.

            "O Sonho de Cassandra" traz à cena dois irmãos que precisam de dinheiro e cometem um crime para conseguir. O conflito central se dá quando um deles não consegue lidar com a situação de ter cometido um crime. Já "Match Point", traça a história de um jovem com recursos parcos que se vê diante de uma paixão avassaladora e da possibilidade de crescer financeiramente em um outro relacionamento estável, mas apagado pela falta de tesão. O jovem comete um crime para resolver sua situação. Enquanto o primeiro possui um final trágico, o segundo apresenta um desenlace questionável do ponto de vista ético.

             Para quem não leu, "Crime Castigo" apresenta ao leitor a história de um jovem atormentado pela própria loucura e que comete um crime: o foco central da narrativa. Dostoieviski é um gênio, absurdamente, diferente. Com certeza, trata-se de um livro possuidor, que paralisa e absorve. Choca e fascina. Espanta e atrai. Confunde e explica. Ou seja, o livro apenas nos mostra o que é Literatura.
            Quem conhece meus textos sabe que não faço resenha, apenas comento. O fato é que não consigo escolher entre um filme e outro. Mas é claro que não quero nem comparar ao livro, pois a ideia de Allen não era adaptar o livro em filme, apenas se inspirar nele, o que é bem diferente, tarefa de mestre, claro! As três histórias têm o mesmo pano de fundo: Culpa? Ambição? Considerar-se acima do bem e do mal? Poder? Ideias conturbadas? Dinheiro? Investigação? Confusão mental? Ao caro leitor, convido assistir e ler, criando, assim, suas próprias expectativas e tirando suas próprias conclusões.





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Pessoas classe lixo

Posted by Blogueira on 20:27 in , ,

Surge no mercado uma nova classe de pessoas: a classe lixo. Quem são as pessoas lixo? São aquelas que têm tudo a dizer e nada a acrescentar. Tudo a dizer e nada a ouvir. Tudo a ganhar e nada a oferecer. Mas isso não passa de uma visão muito particular da humilde blogueira que aqui desenvolve seus pensamentos.

Como reconhecer pessoas classe lixo: Geralmente, querem ganhar algo como um convite, uma roupa, um ingresso etc. Mas, geralmente, querem vender tudo. Por que razão? Só pode ser porque julgam que aquilo que possuem é mais importante do que aquilo que os outros possuem. Essas pessoas só podem se considerar mais importantes, pois, se considerassem as outras pessoas tão importantes quanto elas, tratariam os anseios e objetivos das outras da mesma forma que tratam os seus. Essas pessoas tratam as outras como lixo e, sinto muito, quem trata os outros como lixo é um lixo.
Pode parecer implicância da minha parte, mas estou farta de encontrar pessoas assim em meu caminho. É o tipo de gente que tenho tolerância zero, mas não trato como me tratam, pois, caso contrário, eu me tornaria igual a elas, e não sou. Sou eu mesma, independentemente de quem cruzar o meu caminho, o fato de exercer minha tolerância zero não significa ser diferente do que sou, apenas uma parte de mim que não mostro para todos.



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"A Carne" e minha dificuldade em assimilar

Posted by Blogueira on 19:40 in ,
Que os leitores eventuais de "Cinquenta tons de cinza" não se sintam ofendidos, mas esta é a verdadeira LITERATURA erótica.





Demorei muito tempo para descobrir que "A Carne" de Júlio Ribeiro é um livro erótico. Quando o li pela primeira vez, eu era muito jovem e não percebi a história que se delineava a minha frente. Em cada momento da vida, certas leituras e fatos vão tomando formas diferentes e tudo depende muito da época e da situação em que o leitor se encontra. Ao reler o livro, entendi muitas coisas que antes não conseguia compreender, às vezes acho que sou uma péssima leitora e confesso que tenho dificuldades em assimilar qualquer situação, eu sempre fui assim. 

Ultimamente, fui atingida por uma dislexia não diagnosticada por médico nenhum (eu que diagnostiquei, risos), e espero que assim como ela foi súbita, seja também passageira. Amém! O fato é que Júlio Ribeiro traz um novo papel para a mulher e explicita essa nova mulher moderna em seu livro. Essa história é tão carnal e poucas vezes encontrei algo tão intenso. Aliás, as coisas mais intensas são as mais complicadas de se entender. Mas "A Carne" é um livro carnal e isso é um show dentro do livro. Imagino que muitos já tenham lido, pois é até bastante conhecido. Para quem não leu, posso adiantar que é uma história sobre desencontro, paixão, sexo, sadismo e (eu já ía falar rock'n roll), mas não tem rock nessa história, acredito que o fundo musical , cada qual é quem faz. Não vou contar o livro para quem não leu, pois eu detesto quando fazem isso, estraga o prazer de ler. Espero que os leitores possam descobrir o quão a carne é fraca, até na ficção.


Texto produzido em 2008 (O texto passou por pequenas modificações)



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""A Casa dos Budas Ditosos" e meu breve elogio

Posted by Blogueira on 19:30 in ,
Que os leitores eventuais de "Cinquenta tons de cinza" não se sintam ofendidos, mas esta é a verdadeira LITERATURA erótica.







Eu não saberia dar uma explicação clara sobre "A Casa dos Budas Ditosos", não que o livro não tenha ficado claro, muito ao contrário, mas pude perceber que "tudo no mundo é secreto", assim como o próprio livro aponta. Sensacional? Sim! E muito mais... É um livro para todas as pessoas livres de preconceitos e sem medo de leituras invasoras e por que não dizer incômodas? Serve também aos recatados e medrosos, aos puros e ingênuos... Os futuros leitores não devem se espantar, o livro não é um manual de posições sexuais, mas em alguns momentos parece. É um livro invasor e não pede licença. De fácil leitura e compreensão, e sem palavras difíceis, mas isso não significa que ele não possa se tornar difícil para algum leitor. Digo, entretanto, que se o futuro leitor possui uma leitura ou mente limitadas, é bom não ler, porque pode não estar preparado para o novo, assim como tantas vezes, na vida mesmo, não se está preparado para compreender.  O livro faz parte da série "Plenos Pecados" (1999), em que escritores selecionados ficaram encarregados de falar (cada qual) sobre um pecado capital. João Ubaldo Ribeiro encarregou-se de escrever com mão de mestre (inclusive) sobre a luxúria. Trata-se de um monólogo de uma mulher com 70 anos de pura vivência, o autor afirma que recebeu uma fita com essas gravações, mas, sinto muito, não acreditei, somente um grande escritor faria com que se pudesse acreditar nisso. Gostei de ter sido enganada nessas 163 páginas. Convido as pessoas a serem enganadas também! Por que não? A leitura mais provocadora dos últimos tempos, sem dúvidas.


Texto produzido em 2008.(O texto passou por pequenas modificações)


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Curiosidade por situações banais

Posted by Blogueira on 19:46 in


Alguns dias atrás, a chuva destruiu parte de uma árvore da rua onde moro. Logo percebi que teriam que cortar a árvore mais rente ao solo para não causar nenhum acidente futuro. Há uns dois dias, dito e feito, vieram e cortaram a árvore. Acredito que situações como essa aconteçam todo dia e toda hora. Pessoas são pagas para fazer este serviço: cortar árvores! 

O que me causa tédio é como os transeuntes e moradores pararam para observar o fato como se aquilo fosse um acontecimento incrível como a chegada de um cantor internacional, uma entidade ou algo assim. Eu acompanhei o fato porque estava no ponto esperando ônibus para ir trabalhar. As pessoas, ao contrário, abriram as janelas de suas casas, os portões, algumas, que por esse trajeto passaram, pararam para observar o acontecimento banal e comum, gesticulando, comentando, apontando...

Não sei nem quero saber o que move a curiosidade das pessoas, mas, por tão pouco, acredito que seja falta de acontecimentos em suas vidas. Falta ocupação para parar e ficar olhando o trabalho dos outros como se nunca tivessem visto aquilo antes. Curiosidade por situações banais só pode ser falta do que fazer. Ou, no caso, pensar que uma árvore que estava prejudicando até o trânsito é destruição do meio ambiente é falta de conhecimento da causa sobre o que é destruir o meio ambiente. Chegará o dia em que as pessoas cuidarão mais de suas vidas neste país? A esperança continua...



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Às vezes, perder é ganhar

Posted by Blogueira on 12:09 in



Olho para trás e penso nas coisas que ficaram espalhadas no trajeto. Sou saudosista, e não me dou conta das coisas do presente, é um defeito, acredito! Eu deveria valorizar o momento, para depois não pensar nele como se fosse mais importante do que talvez tenha sido. Na lembrança, sempre sou mais feliz do que, na verdade, fui. Acredito que eu não seja a única a pensar assim, mas talvez eu seja uma das poucas a reconhecer.

As emoções são latentes, mas queria aproveitá-las mais. Sempre penso que a vida seria mais real se fosse possível reconhecer a importância de cada momento. Os livros de autoajuda proclamam, mas não é fácil. Até que me provem o contrário, viver cada dia como se fosse o último é apenas um discurso. Eu sei que dá remorso e culpa deixar sentimentos no passado, mas perder é ganhar, nem tudo ou todos valem a pena. Pois, se tudo valesse a pena, seriam muitas coisas e pessoas perdidas. Contrariando Fernando Pessoa, pessoas de alma grande, muitas vezes, não valem a pena, em todos os sentidos. Podem não estar na mesma sintonia, e é importante entender a sintonia das pessoas que nos rodeiam, cada qual possui o seus mundos particulares, adentrá-los é um risco.

Perder é ganhar, às vezes... Outras tantas, perder é perder mesmo, e quanto a ambas, faz parte daquilo que as pessoas chamam de viver. Existe o risco de perder e ganhar, mas nunca saberei, e é bom saber que ninguém saberá, pois não existem videntes. Caso houvesse, não haveria. Complexo? Não! Qual vidente precisaria cobrar uma consulta de um cliente, se pudesse adivinhar os números da loteria para si mesmo?!? O futuro nada mais é do que o passado adiantado, e se o passado foi eu quem fez, farei o futuro com meus atos. Confecciono meu próprio enredo assim como cada linha de um texto, até que se forme o parágrafo e, de cada parágrafo, um texto.

Tudo quanto há é uma projeção das vidas das pessoas. Cada vivência são exemplos dos exemplos de nossos próprios pensamentos. Cada vez que se perde, era preciso perder. Cada vez que se ganha era preciso ganhar. Mas uma só coisa é certa: as atitudes são produtoras de resultados, embora nada esteja sob o nosso controle absoluto. Nada!

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