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Sobre meus dois últimos filmes e meus dois últimos livros

Posted by Blogueira on 14:27 in , , ,
Não tenho o tempo que gostaria para ler e escrever, e, quando tenho, fico com um pouco de preguiça. Não é sempre, mas ocorre com frequência. Sentir preguiça deve ser natural. Por esse motivo, vou tentar fazer textos que abordem mais de um assunto. No entanto, que sigam uma mesma linha de pensamento, e também textos mais dinâmicos. 
Vamos lá, vi dois filmes com temáticas semelhantes:  Uma Garrafa no Mar de Gaza (Direção: Thierry Binisti) e Além da Fronteira (Direção: Michael Mayer) Ambos são verdadeiras aulas de História, já que mostram um pouco da realidade de Israel e Palestina. Apesar de serem países tão próximos, é muito triste ver como são diferentes em relação à cultura, desenvolvimento, política, enfim, tudo. Uma Garrafa no Mar de Gaza vai tratar da amizade à distância entre dois jovens via internet. Não deixa de ser interessante, mas em muitos momentos é cansativo. Acredito que um filme cansativo tira um pouco do seu valor. Vale a pena em relação a conhecimentos históricos e geográficos. Já Além da Fronteira, apesar do preconceito que predomina quando os protagonistas de um filme são gays, é um filme muito significativo, envolvente e marcante. Esse sim, não perde seu valor em nenhum momento, pois não deixa de ser eletrizante e chocante. Fantástico, eu diria. Ninguém se arrependerá se, por acaso, assistir aos filmes. Afinal, filmes nunca são demais!
Sobre os meus dois últimos livros, o que tenho a dizer é que nenhum deles tem a ver com meu estilo de leitura. Apesar de que um deles não é um livro para ler apenas uma vez na vida: A Arte da Guerra (Sun Tzu)! Sempre protelei a leitura, não sei bem por que, já que sempre quis lê-lo. O livro não decepciona, é, realmente, uma arma nas mãos de quem sabe usar, pois trata de estratégias que, no meu ponto de vista, podem e devem ser aplicadas a qualquer situação da vida. Por isso, acredito que ele se pareça mais um manual de como fazer qualquer coisa dar certo do que um livro, propriamente dito. O meu último livro foi uma grande perda de tempo: Desvendando os segredos da linguagem corporal (Allan & Barbara Pease), um manual também! Mas um manual chato e difícil de seguir. Afinal, quem fica analisando os outros ou se analisando o tempo todo? Algumas condutas eu nem concordo, acho que são perda de tempo, tanto para aplicá-las como para tentar desvendá-las. Não recomendo a leitura para que ninguém perca tempo. Tempo é algo tão raro hoje em dia, vou tentar não perder o meu com leituras ruins.

  

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Sobre o livro "Como me tornei estúpido"

Posted by Blogueira on 21:41 in ,
[Não contém spoiler]


Todos deveriam ler o livro "Como me tornei estúpido", quem sabe assim,os estúpidos, seriam menos estúpidos? Falo da estupidez mais nojenta, aquela baseada na idiotice das mesmices, das coisas vãs e vazias. O livro de Martin Page trata, exatamente, disso. 
A idiotice é algo que finca como raiz em solo fértil, parece não ter fim, parece não diminuir. As redes sociais só têm aumentado a banalidade vazia das pessoas. Elas são vazias! Mas de quais pessoas falo aqui? As idiotas! Aquelas que proliferam imbecilidade o tempo todo, aquelas que se acham educadas, modernas, cultas, inteligentes e não têm nada a acrescentar. Falo dessas estúpidas e é disso que o livro fala.
O enredo apresenta um intelectual que não se preocupa com dinheiro e leva uma vida simples que resolve, a todo custo, tornar-se um imbecil. Ele consegue? Como se dá essa tentativa? O que é preciso para se tornar um idiota? O livro fala por aqueles que se sentem "estranhos no ninho", inclusive o filme "Um estranho no ninho" parece ser uma inspiração para o autor. 
Recomendo como forma de leitura crítica e criativa, apenas para mentes pensantes...


Imagem: Arquivo pessoal

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Todos deveriam ler “A Metamorfose”

Posted by Blogueira on 21:09 in , ,
Muita gente sabe do que se trata o livro de Franz Kafka: “A Metamorfose”, mas sei que pouca gente lê os clássicos. Enfim, inúmeras são as justificativas, mas nenhuma aceitável. Desprezando, momentaneamente, a parte intelectual da obra, afirmo que o enredo é, no mínimo, intrigante. Um jovem caixeiro viajante acorda, numa manhã comum, em corpo de um inseto gigante. Sua transformação mudará a sua vida e a vida de sua família no decorrer do texto impecável de Kafka.
Penso que acordar no corpo de um inseto gigante seria, realmente, um dos piores pesadelos. Mas,
muitas vezes, eu me sinto assim e muita gente também. É claro que sempre agradeço ao bom Deus por não ser um inseto gigante, mas inúmeras vezes me sinto como se estivesse no corpo errado e que minha vida não é real, penso: É sonho? Ou melhor: Que pesadelo é esse?
Ler “A Metamorfose” é transformador, tanto do ponto de vista literário, como do ponto de vista de uma pessoa que busca as respostas que jamais encontrará. Mas por que transformador se não me dá as respostas? Porque tudo o que me faz repensar e rever minha forma de encarar a vida e a vida me encarar é transformador (uma metamorfose, ouso afirmar), por mais que não sejamos capazes de perceber, algo nos modifica. É bom! É arte! É Franz Kafka!
Penso que o nome ‘A Metamorfose’ não poderia ter sido melhor, pois ocorrem duas metamorfoses evidentes na obra. Ou seja, duas transformações. A primeira é a mudança do protagonista, a segunda é a mudança das pessoas ao seu redor. Já que a vida muitas vezes imita a arte, gostaria muito que as pessoas não apenas percebessem a mudança uma das outras, mas que mudassem também, um pouco que fosse. A transformação é necessária. Quero aprender o sentido da vida. Quero me revelar para mim mesma, mas tudo é mais complicado se quem está ao nosso lado, que convive conosco, não está no mesmo ritmo. A metamorfose das pessoas é necessária e, quando ela não ocorre, é frustrante para quem já se transformou pelo menos um pouco. Por isso, recomendo ao querido leitor: Mude! Comece lendo Kafka!


Imagem: Google






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“O Sonho de Cassandra” e “Match Point”

Posted by Blogueira on 19:51 in , ,
             Disparadamente, os meus filmes favoritos de Woody Allen são "O Sonho de Cassandra" e "Match Point". Primeiro, porque remetem a um dos meus livros favoritos: Crime e Castigo. Segundo, porque são histórias, particularmente, diferentes, mas que remetem à mesma temática.

            "O Sonho de Cassandra" traz à cena dois irmãos que precisam de dinheiro e cometem um crime para conseguir. O conflito central se dá quando um deles não consegue lidar com a situação de ter cometido um crime. Já "Match Point", traça a história de um jovem com recursos parcos que se vê diante de uma paixão avassaladora e da possibilidade de crescer financeiramente em um outro relacionamento estável, mas apagado pela falta de tesão. O jovem comete um crime para resolver sua situação. Enquanto o primeiro possui um final trágico, o segundo apresenta um desenlace questionável do ponto de vista ético.

             Para quem não leu, "Crime Castigo" apresenta ao leitor a história de um jovem atormentado pela própria loucura e que comete um crime: o foco central da narrativa. Dostoieviski é um gênio, absurdamente, diferente. Com certeza, trata-se de um livro possuidor, que paralisa e absorve. Choca e fascina. Espanta e atrai. Confunde e explica. Ou seja, o livro apenas nos mostra o que é Literatura.
            Quem conhece meus textos sabe que não faço resenha, apenas comento. O fato é que não consigo escolher entre um filme e outro. Mas é claro que não quero nem comparar ao livro, pois a ideia de Allen não era adaptar o livro em filme, apenas se inspirar nele, o que é bem diferente, tarefa de mestre, claro! As três histórias têm o mesmo pano de fundo: Culpa? Ambição? Considerar-se acima do bem e do mal? Poder? Ideias conturbadas? Dinheiro? Investigação? Confusão mental? Ao caro leitor, convido assistir e ler, criando, assim, suas próprias expectativas e tirando suas próprias conclusões.





Imagens: Google


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"A Carne" e minha dificuldade em assimilar

Posted by Blogueira on 19:40 in ,
Que os leitores eventuais de "Cinquenta tons de cinza" não se sintam ofendidos, mas esta é a verdadeira LITERATURA erótica.





Demorei muito tempo para descobrir que "A Carne" de Júlio Ribeiro é um livro erótico. Quando o li pela primeira vez, eu era muito jovem e não percebi a história que se delineava a minha frente. Em cada momento da vida, certas leituras e fatos vão tomando formas diferentes e tudo depende muito da época e da situação em que o leitor se encontra. Ao reler o livro, entendi muitas coisas que antes não conseguia compreender, às vezes acho que sou uma péssima leitora e confesso que tenho dificuldades em assimilar qualquer situação, eu sempre fui assim. 

Ultimamente, fui atingida por uma dislexia não diagnosticada por médico nenhum (eu que diagnostiquei, risos), e espero que assim como ela foi súbita, seja também passageira. Amém! O fato é que Júlio Ribeiro traz um novo papel para a mulher e explicita essa nova mulher moderna em seu livro. Essa história é tão carnal e poucas vezes encontrei algo tão intenso. Aliás, as coisas mais intensas são as mais complicadas de se entender. Mas "A Carne" é um livro carnal e isso é um show dentro do livro. Imagino que muitos já tenham lido, pois é até bastante conhecido. Para quem não leu, posso adiantar que é uma história sobre desencontro, paixão, sexo, sadismo e (eu já ía falar rock'n roll), mas não tem rock nessa história, acredito que o fundo musical , cada qual é quem faz. Não vou contar o livro para quem não leu, pois eu detesto quando fazem isso, estraga o prazer de ler. Espero que os leitores possam descobrir o quão a carne é fraca, até na ficção.


Texto produzido em 2008 (O texto passou por pequenas modificações)



Imagem: Google

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""A Casa dos Budas Ditosos" e meu breve elogio

Posted by Blogueira on 19:30 in ,
Que os leitores eventuais de "Cinquenta tons de cinza" não se sintam ofendidos, mas esta é a verdadeira LITERATURA erótica.







Eu não saberia dar uma explicação clara sobre "A Casa dos Budas Ditosos", não que o livro não tenha ficado claro, muito ao contrário, mas pude perceber que "tudo no mundo é secreto", assim como o próprio livro aponta. Sensacional? Sim! E muito mais... É um livro para todas as pessoas livres de preconceitos e sem medo de leituras invasoras e por que não dizer incômodas? Serve também aos recatados e medrosos, aos puros e ingênuos... Os futuros leitores não devem se espantar, o livro não é um manual de posições sexuais, mas em alguns momentos parece. É um livro invasor e não pede licença. De fácil leitura e compreensão, e sem palavras difíceis, mas isso não significa que ele não possa se tornar difícil para algum leitor. Digo, entretanto, que se o futuro leitor possui uma leitura ou mente limitadas, é bom não ler, porque pode não estar preparado para o novo, assim como tantas vezes, na vida mesmo, não se está preparado para compreender.  O livro faz parte da série "Plenos Pecados" (1999), em que escritores selecionados ficaram encarregados de falar (cada qual) sobre um pecado capital. João Ubaldo Ribeiro encarregou-se de escrever com mão de mestre (inclusive) sobre a luxúria. Trata-se de um monólogo de uma mulher com 70 anos de pura vivência, o autor afirma que recebeu uma fita com essas gravações, mas, sinto muito, não acreditei, somente um grande escritor faria com que se pudesse acreditar nisso. Gostei de ter sido enganada nessas 163 páginas. Convido as pessoas a serem enganadas também! Por que não? A leitura mais provocadora dos últimos tempos, sem dúvidas.


Texto produzido em 2008.(O texto passou por pequenas modificações)


Imagem: Google

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“A gente não quer só comida...” no bom sentido!

Posted by Blogueira on 19:50 in , ,

Na década de setenta, a Rede Globo dava vida à obra de Jorge Amado (Gabriela, cravo e canela). No entanto, a extinta TV Tupi já o havia feito na década de sessenta. Sabe-se, porém, que tudo o que a Globo “toca” se transforma em ouro, mesmo que seja urina, o que não é o caso de meu amadíssimo autor Jorge Amado. Considero sua obra, com destaque para a Bahia, uma verdadeira aula de História em forma de Literatura de altíssimo nível.



 Sinto-me homenageada por ter o nome de uma obra Literária, muito embora de maneira distorcida e atrofiada pela malícia e a busca pela audiência. Li o romance “Gabriela, cravo e canela” há muito tempo, mas posso garantir que a conotação dada a ele na TV é diferente e busca apenas prender a atenção do telespectador, por isso investe muito nas “cenas quentes” protagonizadas pela personagem, tenho certeza que, com Juliana Paes e o galã Humberto Martins, essa tendência a investir no banal da obra artística não fugirá à regra, o que é uma pena. Não sou nenhum tipo de moralista, nem quero defender a imagem da personagem que tem o mesmo nome que o meu, mas penso que há outros canais onde as cenas de sexo poderiam ser melhores aproveitadas. Penso que utilizar a obra de um grande e brilhante autor brasileiro para alcançar audiência chega a ser um insulto, mas fazer o quê, ‘né’? Afinal, acredito que meus comentários sempre cairão na mesma regra fixa: este é um país onde tudo é classificado como bom, simplesmente porque maioria do povo não sabe distinguir alhos de bugalhos.
Acompanharei alguns capítulos apenas para atestar que estou certa em meus dizeres, já que as chamadas da novela explicitam aquilo de que ela vai tratar, talvez até seja um erro julgar antes de assistir. Nem tudo que a Globo faz é tão ruim assim, recordo-me agora da série “Capitu” que era um retrato sensacional da obra de Machado de Assis: “Dom Casmurro”, uma interpretação viva dentro de um quadrado midiático, foi perfeito e valeu a pena assistir, mesmo que eu tenha perdido alguns capítulos. Lembro-me também de “Hilda Furacão”, série protagonizada por Rodrigo Santoro e Ana Paula Arósio, atores que, além de brilhantes, são lindos. Eu ainda era muito jovem, mas lembro de que gostava de “Maria Moura”, uma configuração perfeita da obra homônima de uma de minhas autoras favoritas: Rachel de Queiroz. Sendo assim, espero que, na novelinha das onze, a Globo implante algo, realmente, válido da obra de Jorge Amado. Penso que seja difícil fazê-lo, já que o público dessas novelas não é lá... “essa Coca-Cola toda”. Tenho certa esperança, pois a última novela desse horário, “O Astro”, foi uma imbecilidade ‘que só’, no entanto o final foi interessante quando a emissora ousou e inseriu “Realismo Mágico”, transformando o personagem de Rodrigo Lombardi em um pássaro, isso fez lembrar as novelas de antigamente, algo que não é da minha época, infelizmente. Enquanto isso, vamos acompanhar a Balzaquiana, Juliana Paes, no papel de ninfeta e ver se ‘a gente’ que “não quer só comida...” tira algum aprendizado disso. Recomento, todavia, a leitura do livro.


Imagem: Google



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