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“Se eu não faço, é feio. Se eu faço, pode”

Posted by Blogueira on 13:24 in

“Moralidade é uma lei fixa, mas cada um de nós deve ser seu próprio juiz." 
(Pucksinwah, Chefe da tribo Shawnee, 1774)

Percebi que pessoas de educação (aquela que vem do berço) desprivilegiada tendem a imaginar que outras pessoas sentem inveja delas. Comecei a questionar a raiz desse pensamento primitivo e descobri. É até engraçado, mas está ligado à religiosidade. Não à religião, mas à religiosidade.Tentar seguir determinados preceitos de valores que 100% da humanidade jamais conseguirá faz com que as pessoas acabem pensando: “Se eu não faço, é feio. Se eu faço, pode”. Posso citar a Bíblia como exemplo? Sim, posso! Nunca encontrei nenhum trecho bíblico afirmando que bebida alcoólica é proibida. Ao contrário, em determinado contexto, o próprio Jesus transformou água em vinho festejando um casamento. Entretanto, quem se denomina cristão ‘de carteirinha’ não bebe e julga quem bebe. Mais engraçado ainda é julgar quem bebe, sendo que, julgar, de acordo com a Bíblia, só cabe a Deus.A Bíblia não fala que bebida alcoólica é proibida, mas sexo antes do casamento é. Melhor nem comentar qual a porcentagem de cristãos ‘de carteirinha’ segue esse preceito. Daí entra outra questão: “Deus perdoa, não é? Afinal, sou um bom dizimista”. Que eu saiba, e até onde vão os pensamentos bíblicos, Deus não se vende e, para que haja perdão, é necessário o arrependimento verdadeiro e cessar a prática do pecado. Outro preceito que me incomoda é que a Bíblia, realmente, condena o homossexualismo. Entretanto, para o Deus Bíblico, não existe ‘pecadinho e pecadão’. Sendo assim, se eu sou heterossexual e cometo adultério contra minha esposa ou meu marido, se cobiço as coisas alheias, se não amo meu próximo como a mim mesmo(a) sou tão pecadora quanto um homossexual. Afinal, ser heterossexual não faz parte dos dez mandamentos, amar o próximo como a si mesmo faz. Porém, amar ao próximo como a si mesmo requer tolerância, pois, se eu perdoo os meus erros, se acredito que Deus possa perdoá-los, tenho que acreditar nisso em relação aos erros do meu próximo também. Tarefa difícil, não? Condenar, criticar ou julgar as pessoas é muito mais fácil do que amá-las, não tenho dúvidas.O Deus Bíblico não quer que a humanidade se fixe às coisas terrenas e, sim, às coisas espirituais. O meu maior questionamento sobre inveja e merecimento é: Por que Eike Batista seria mais amado que um assalariado qualquer aos olhos de Deus? Se eu me comparasse com os milionários e bilionários do mundo, Deus seria mero distribuidor de presentes e bem injusto (algo que eu não acredito que Ele seja). Pensar que bens materiais são ‘presentinhos de Deus’ não é seguir os preceitos Divinos. E se a carapuça serviu para alguém eu, simplesmente, sinto muito. Ou melhor, não sinto nada, porque eu não tenho dúvida nenhuma de que a pessoa que pensa que as outras pessoas sentem inveja dela, certamente, sente inveja das outras pessoas. E, eu nunca vi um pensamento mais primitivo que a própria inveja que, aliás, é um pecado capital, dá-lhe Bíblia novamente.Infelizmente, quase totalidade da civilização ocidental fixa sua fé em teorias bíblicas. Digo infelizmente não por ser ruim ou por ser contra a Bíblia. Digo infelizmente porque interpretação é a única saída para compreender e aprEEnder qualquer texto. Se a maioria esmagadora das pessoas não consegue interpretar nem um anúncio de jornal, como poderão compreender e aprEEnder um livro tão complexo como a Bíblia? E, o mais complicado, como essas pessoas conseguirão colocá-lo em prática? Não gosto de terminar meus textos com uma interrogação, por isso, segundo a Bíblia, afirmo que a “fé sem as obras não é nada”. Ou que eu não ouça mais sermões voltados para interesses pessoais ou que parem de usar a Bíblia como escudo de maneira errônea. É muito fácil pegar trechos e recitá-los aos quatro ventos, difícil é ser cristão na íntegra: amar ao próximo e aceitar os defeitos desse próximo como se aceita os seus próprios; fazer o bem sem olhar a quem, assim como Jesus curou leprosos, cegos e mancos e chorou pela morte de soldados romanos (os mesmos que o crucificaram); amar sem esperar nada em troca e dar a outra face sem medo da próxima bofetada. Espero que antes de ser criticada crucificada por causa deste texto, só me “atire a primeira pedra quem não tiver pecado”.Beijo aos leitores que, quando veem um pingo, sabem que é letra.


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“A gente não quer só comida...” no bom sentido!

Posted by Blogueira on 19:50 in , ,

Na década de setenta, a Rede Globo dava vida à obra de Jorge Amado (Gabriela, cravo e canela). No entanto, a extinta TV Tupi já o havia feito na década de sessenta. Sabe-se, porém, que tudo o que a Globo “toca” se transforma em ouro, mesmo que seja urina, o que não é o caso de meu amadíssimo autor Jorge Amado. Considero sua obra, com destaque para a Bahia, uma verdadeira aula de História em forma de Literatura de altíssimo nível.



 Sinto-me homenageada por ter o nome de uma obra Literária, muito embora de maneira distorcida e atrofiada pela malícia e a busca pela audiência. Li o romance “Gabriela, cravo e canela” há muito tempo, mas posso garantir que a conotação dada a ele na TV é diferente e busca apenas prender a atenção do telespectador, por isso investe muito nas “cenas quentes” protagonizadas pela personagem, tenho certeza que, com Juliana Paes e o galã Humberto Martins, essa tendência a investir no banal da obra artística não fugirá à regra, o que é uma pena. Não sou nenhum tipo de moralista, nem quero defender a imagem da personagem que tem o mesmo nome que o meu, mas penso que há outros canais onde as cenas de sexo poderiam ser melhores aproveitadas. Penso que utilizar a obra de um grande e brilhante autor brasileiro para alcançar audiência chega a ser um insulto, mas fazer o quê, ‘né’? Afinal, acredito que meus comentários sempre cairão na mesma regra fixa: este é um país onde tudo é classificado como bom, simplesmente porque maioria do povo não sabe distinguir alhos de bugalhos.
Acompanharei alguns capítulos apenas para atestar que estou certa em meus dizeres, já que as chamadas da novela explicitam aquilo de que ela vai tratar, talvez até seja um erro julgar antes de assistir. Nem tudo que a Globo faz é tão ruim assim, recordo-me agora da série “Capitu” que era um retrato sensacional da obra de Machado de Assis: “Dom Casmurro”, uma interpretação viva dentro de um quadrado midiático, foi perfeito e valeu a pena assistir, mesmo que eu tenha perdido alguns capítulos. Lembro-me também de “Hilda Furacão”, série protagonizada por Rodrigo Santoro e Ana Paula Arósio, atores que, além de brilhantes, são lindos. Eu ainda era muito jovem, mas lembro de que gostava de “Maria Moura”, uma configuração perfeita da obra homônima de uma de minhas autoras favoritas: Rachel de Queiroz. Sendo assim, espero que, na novelinha das onze, a Globo implante algo, realmente, válido da obra de Jorge Amado. Penso que seja difícil fazê-lo, já que o público dessas novelas não é lá... “essa Coca-Cola toda”. Tenho certa esperança, pois a última novela desse horário, “O Astro”, foi uma imbecilidade ‘que só’, no entanto o final foi interessante quando a emissora ousou e inseriu “Realismo Mágico”, transformando o personagem de Rodrigo Lombardi em um pássaro, isso fez lembrar as novelas de antigamente, algo que não é da minha época, infelizmente. Enquanto isso, vamos acompanhar a Balzaquiana, Juliana Paes, no papel de ninfeta e ver se ‘a gente’ que “não quer só comida...” tira algum aprendizado disso. Recomento, todavia, a leitura do livro.


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“... Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder...” (II)

Posted by Blogueira on 18:26 in

Todos são anti-heróis. Mas o que seria um anti-herói? Quase todos pensam que anti-heróis são, na verdade, vilões, mas não é bem por aí. Um anti-herói não é, necessariamente, mau, mas também não é, necessariamente, bom. Para se ter uma noção, em alguns estudos, Batman e Homem-Aranha são considerados anti-heróis e não heróis de fato. Isso os transforma em vilões? De maneira nenhuma! O que fica caracterizado é a questão de não serem apenas jovens bondosos e humanitários. Eles agem por um motivo pessoal, sendo assim, movidos por sua própria vaidade. Por exemplo, todos sabem que o Homem-Aranha sempre foi frustrado por ser um jovem criado pela tia e ter presenciado a morte do próprio tio, que havia lhe criado como filho. Homem-Aranha tem, portanto, um objetivo pessoal, prender assassinos como o assassino de seu tio. Outro exemplo a ser considerado é o Batman, um homem da elite que não suporta fazer parte dela e age fazendo justiça com as próprias mãos sem nenhum poder fantástico, apenas recursos financeiros que lhe permitem ter em mãos a mais sofisticada tecnologia.





Afirmo, sem medo de estar errada, que a raça humana é anti-heroína. Sempre falo isso para as pessoas. Outro dia, uma senhora (ex-aluna “EJA”) me disse que não faz nada por interesse. Então eu lhe perguntei: Por que você está nesta sala de aula? Ela respondeu em tom desafiador: Para aprender e me formar! Eu, calmamente, contra argumentei: Então, pelo menos dois interesses pessoais você tem: o primeiro é aprender e o segundo é obter um diploma. É claro que ela tem muitos outros interesses pessoais na vida, mas preferi não adentrar neste mérito, já que não obtive uma tréplica. É engraçado como ninguém quer ser anti-herói. Penso assim: Se fulano ou beltrano quer ser herói, que abra mão da família, dos amores, dos bens materiais e vá viver em prol dos outros, afinal, essa é a atitude um herói. Posso dizer, entretanto, que nunca tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, nenhum herói. Já ouvi falar... Conhecer, mesmo, ainda não tive a honra. Também não concordo com algumas designações. Por exemplo, sempre ouço alguém falando que Ayrton Senna foi um herói (risos). Acho cômico, pois o cara era competidor de um esporte elitista, que são pouquíssimos no planeta que terão a oportunidade de praticar e não fazia nada por ninguém, além dele mesmo. Suas funções se resumiam em competir e namorar mulheres lindas e famosas. Isso não é heroísmo. Nem bons em esportes esses caras do automobilismo são. Basta observar o caso do Schumacher, lhe deram um carro bom e ele ganhava, lhe deram um carro ruim e ele não ganha mais. Outro caso engraçado é quando alguém passa por um momento difícil e sai ileso. Lembro-me do caso dos mineiros que ficaram soterrados numa mina do Chile, saíram mais magros, mas sobreviveram. Todos os noticiários bradavam: Heróis! De quem eles salvaram a vida, a não ser a deles próprios? Também não vejo como heroísmo. E, para completar, cito o caso dos fortões e piriguetes do BBB (Reality show Big Brother Brasil) que são chamados o tempo todo de heróis pelo apresentador do programa, sobre este fato nem vou comentar, apenas rir.





Quero deixar claro que, ao longo da vida, as pessoas poderão ter atos de bravura com o próximo. Em segundos, se transformarão em heróis e em pouco tempo serão esquecidas e retornarão à condição humana. Atos e omissões, coragem e covardia, raiva e amor. As pessoas sempre serão movidas por sonhos, os seus próprios e poucas vezes do outro. Estarão sempre em primeiro lugar e, raramente, se colocarão no lugar do outro. Serão sempre anti-heróis, mas não excluo a possibilidade de existirem, em algum momento, razões e sonhos que não são os delas mesmas. Apenas em curtos intervalos poderão ser chamados de heróis, serão algumas vezes lembradas, mas no mais das vezes, serão esquecidas, pois não posso esquecer de que quem lembra e esquece também é humano, por isso toda fé é duvidosa e toda idolatria tem limite.




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Cultura de todos

Posted by Blogueira on 21:13 in

“De qualquer maneira, podemos (devemos) recordar aquilo que os romanos - o primeiro povo a encarar seriamente a cultura, à nossa maneira - pensavam dever ser uma pessoa culta: alguém que soubesse como escolher sua companhia entre homens, entre coisas e entre pensamentos, tanto no presente como no passado.”
ARENDT, Hannah. Entre o passado e futuro. São Paulo. Editora Perspectiva, [1946] 2009. p.281



A palavra “cultura” vem do latim “colere” que nada mais é do que “cultivar”. Sendo assim, não concordo muito com alguns projetos, festivais, shows (entre outros) que afirmam levar cultura para as pessoas. Sempre vi a cultura como aquilo que uma pessoa cultiva. Por exemplo, se eu gosto de funk (é só um exemplo mesmo) não adianta tentar me aproximar de música clássica, pois o máximo que ocorrerá é o fato de eu conhecer uma nova cultura, sendo que não é isso que irei cultivar no meu dia a dia. Posso até provar espinafre, mas vou plantar couve e colher couve. E, mesmo que eu comece a cultivar espinafre, é apenas uma nova cultura, não a única.Tudo o que um indivíduo gosta é cultura: a sua própria cultura. O fato de eleger uma cultura como melhor e pior é outra questão. Questão essa fundamentada em julgamentos. Se eu digo que funk é ruim, me sinto no direito de julgar determinado ciclo social diferente do meu como inferior. Ou seja, julgo e critico aquilo que o outro cultiva, mas a verdade é que não há uma regra fixa para classificar algo como bom ou ruim. Entramos aí em outro quesito interessante: o comportamento.Comportamento é uma questão bem mais complexa. Mais uma vez voltando a exemplificar, se eu ouço funk, não significa que vou me comportar como um dançarino ou fã de funk. Certamente, me adaptarei aos ditames sociais do núcleo no qual estou inserida. Posso estar ou gostar de uma determinada cultura, mas não necessariamente adotar os comportamentos dos membros de tal cultura.Decidi entrar neste quesito cultural de forma rápida e breve, pois considerei singular a apresentação de André Rieu no “Domingão do Faustão” dia 27/05/12 quando o mesmo, juntamente aos seus músicos e cantores, apresentaram uma versão impecável da insuportável musiquinha “Ai, se eu te pego!”. O que o grande músico pensou? Em terras tupiniquins, agradarei aos descendentes indígenas com uma cultura de massa, algo que possa atingir a qualquer um. Isso significa que Rieu goste ou faça parte dessa cultura? Claro que não! Definitivamente não é isso que ele planta, mas os aplausos que ele colhe fazem parte da bem sucedida tentativa de adotar um determinado comportamento apenas para atingir uma cultura diversa à sua.


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Paixões e verões

Posted by Blogueira on 16:06 in

Sou refém do tempo. Ele me consome. Digo isso porque sempre conto os segundos e minutos para as situações chatas passarem rápido, mas quando faço isso, aí sim, o tempo parece ser eterno. Gosto de tomar banho quente, quando percebo, já deu vinte ou trinta minutos numa rapidez inacreditável, sempre penso que o relógio está errado. Entro numa sala de aula e o tempo se arrasta, os alunos parecem tomar formas inimagináveis e gigantescas, olho para o relógio, mas o ponteiro dos segundos não se movimenta. Eu me arrasto. É o que sempre me dizem: “você tem que gostar do que faz”. Sou ingrata demais, não gosto de quase nada, sempre penso que a profissão dos outros é mais divertida que a minha, ao menos mais lucrativa deve ser. Agora, unir o chato ao desagradável é coisa rara, mas sempre consigo.

Ouço uma música boa e não me dou conta de que apertei o ‘repeat’. Encontro com alguém que adoro estar e o tempo parece acelerar, assim como o meu coração. Encontro alguém que me cansa a mente e o tempo não passa de jeito nenhum. O tempo está contra meus momentos bons, contra o que quero e contra meu rosto de frente ao espelho. O tempo está contra tudo o que me dá prazer. Sempre penso que a chuva demora mais a passar que o sol. Sempre penso que as quarenta e oito horas do final de semana são mais breves que as quarenta e oito horas da segunda e terça. O tempo devora tudo o que quero.

Os psicanalistas afirmam: uma paixão não correspondida pode demorar de dois a quatro anos para chegar ao fim. É um consolo pensar que em cada copa do mundo posso ter uma nova paixão. Falo assim porque as copas do mundo vêm e vão numa velocidade impressionante. A última parece que foi ontem. E com ela levou para sempre um antigo amor. A próxima já vem completa e o amor me preenche de certa forma. Sendo assim, eu sempre prefiro pensar numa copa do mundo que numa nova paixão, porque, assim, o tempo vai passar mais rápido. O que me desanima em relação às copas, além do futebol, é que em 2014 estarei prestes a completar trinta e dois e em 2018 terei quase trinta e seis, se eu sobreviver até lá. Ai, que desânimo!

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“... Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder...” (I)

Posted by Blogueira on 19:52 in
Minha admiração pelo mágico universo dos super-heróis começou tarde, mas 'ainda bem' que começou. Tudo corria, calmamente, em minha vida quando uma professora universitária (já falecida) que costumava passar todos os alunos com a nota máxima pediu para que a turma se dividisse em grupos para analisar, cada grupo, um capítulo de um determinado livro. Dessa forma, toda a turma trabalharia o livro com as apresentações. Li minha parte do capítulo, fiz todos os slides e programei as falas de cada membro do meu grupo. Mas uma aluna, membro do meu grupo, me cobrou R$ 0,10 (dez centavos) que faltavam na divisão das fotocópias do capítulo. Nada contra pagar os R$ 0,10, mas naquela noite não dormi meditando sobre o ocorrido. Na manhã seguinte, liguei o computador e joguei os slides na lixeira virtual, juntamente com as divisões das falas dos membros do grupo. À noite, na faculdade, não só devolvi as páginas do capítulo que estavam comigo, como também joguei a moeda de dez centavos no chão. A partir daquele momento, percebi que havia me transformado em uma vilã, percebi que meu lado altruísta de fazer tudo pelo grupo sem exigir nada em troca se quer tinha sido notado. Eu havia me transformado em uma vilã, por um motivo simples, que seja! Daí, resolvi procurar a benevolente professora, que me presenteou com um capítulo brilhante de Umberto Eco “O mito do super-homem”, texto que jamais esquecerei, leria mil vezes se preciso fosse. Para minha surpresa, pessoas advindas de outros grupos por motivos familiares ao meu começaram a pedir para fazer parte do meu grupo. Formávamos, assim, um novo grupo: os vilões letrados.
O assunto do texto “O mito do super-homem” é tarefa para outro post, mas foi, com certeza, o desenrolar mais forte de minha composição vilã, meu lado mau para pequenas ações. Estou longe de ser a ‘mulher gato’ ou ‘Carmem Sandiego’ até porque não tenho nenhuma vocação para sedutora. Posso, porém, afirmar que vilões são seres que tiveram a sua porção boa afetada por outros seres. Ou seja, o lado mau de um vilão é despertado pelo desencadeamento da ordem natural de sua vida. Um simples fato pode mudar tudo. É claro que estou falando de maneira fictícia, mas o parágrafo introdutório é verdadeiro. Embora, sirva apenas para ilustrar que todo vilão já quis ser ou foi bom um dia. Sendo assim, decidi ir a fundo ao mundo dos heróis e por que não dos vilões? A troco de nada, decidi traduzir a ficção para a realidade. Quero dar exemplos reais! E nada melhor do que começar por mim mesma.
Os heróis me fascinam, mas os vilões são muito mais complexos, são seres carregados por uma energia muito maior do que a energia dos super-heróis. Entretanto, toda energia mal canalizada acaba sendo destrutiva para os outros ou (e) para si mesmo. Os vilões são, portanto, transformados pela má administração de seus próprios sentimentos e não existem dúvidas sobre isso.
Os próximos posts da série “... Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder...” retratarão modelos de heróis, anti-heróis e vilões conhecidos e interpretados de formas mil em diversas partes do mundo. É a nova coluna do blog “Palavra em Debate”, que “não é ‘Coca Cola’, mas é isso aí”. 


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Quase um anjo

Posted by Blogueira on 18:59 in ,

Certas manhãs, acordo tentando organizar todos os meus sonhos, há muito, arquivados no coração. Sempre ‘uso’ meu irmão mais novo como ouvinte. É engraçado, mas ele nunca disse que não conseguirei ou que sou incapaz. Ao contrário, ele me estimula tanto que desanimo, pois parece que ele sente mais vontade de me incentivar a fazer algo do que, realmente, acreditar que eu possa realizar meus desejos.
Sinto que deveria agradecer todos os dias da minha vida por ter quase um anjo ao meu lado. Ele não tem asas nem auréola, mas é como se possuísse uma seta para direcionar meus caminhos. Às vezes penso: ou minhas fraquezas estão expostas demais ou meu irmão as conhece melhor que eu. Ao mais leve desestímulo, posso me sentir derrotada e desistir de tudo. O que ele parece ainda não ter percebido é que estímulo demais faz parecer que ele quer me deslocar da zona de conforto.
Esse quase anjo me mostra o que fazer, ao final diz: “se você não fizer, nunca mais me fale sobre isso”. E como eu quase nunca faço, ele sempre finaliza da mesma forma: “se você não fizer, nunca mais me fale sobre isso”. É como se a negociação não funcionasse, é como se ele soubesse que sempre volto à estaca zero ou menos zero. Estou sempre precisando recomeçar ao invés de dar prosseguimento em linha reta. Eu tenho um quase anjo. Um quase anjo que escuta as minhas orações, mas não pode atendê-las, pois isso não é tarefa dos anjos. Eles podem até ser um elo entre Deus e as pessoas, mas jamais serão realizadores de desejos... No entanto, tenho sorte, muita sorte!



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Sobre fé

Posted by Blogueira on 11:45 in ,

Deus não é um distribuidor de presentes. Tenho certeza! Por que Deus curaria um câncer incurável e deixaria milhões morrendo por inanição mundo afora? Por esse e outros motivos é engraçado ver adesivos pregados em carros populares com dizeres como: “Foi Deus quem me deu”, “Fruto do meu relacionamento com Deus”, entre tantos outros. Vejo esses adesivos como um dos pensamentos mais primitivos que uma pessoa pode ter. Se Deus fosse um mero distribuidor de presentinhos, Ele seria muito injusto com a galera que anda de ‘busão’.
Acredito que a morte é, verdadeiramente, a situação mais democrática que pode existir, pois ela é para todos. Não é apenas para alguns e eu até já pensei numa lápide para mim: “Ela não teve o que mereceu! A morte é para todos”. Sei que essa lápide jamais existirá, pois minha família é polida demais para tanto. Pelo menos evitaria pensamentos idiotas como: “Ela sofreu porque era ruim”. Desculpem-me, caros leitores, mas as pessoas pensam assim: se o cara é bonzinho e tem uma doença destrutiva, dizem que ele foi um lutador depois que morre. Se o cara é arrogante como pensam que eu sou, dizem que teve aquilo que mereceu. Primitivismo, nada mais que primitivismo.
É a fé que faz as pessoas acreditarem em tudo. E, confesso, não tenho fé, jamais removerei montanhas, o que me deixa tranquila, porque nunca vi ninguém fazê-lo. É a fé que faz as pessoas acreditarem que exista algo do lado de lá. Eu não faço a menor ideia. Se existir algo, ótimo! Se não existir nada, eu nunca saberei, nem ninguém...
Não ter fé não significa desacreditar, completamente, de Deus. Juro que quero que Ele exista, mas, quando paro e penso, fico louca. Penso de onde veio a poeira cósmica que deu origem ao universo e penso que se for mesmo Deus o criador do universo, Ele sempre existiu e imaginar que algo sempre existiu e que ninguém o criou vai muito além do que eu consigo imaginar. Aliás, ninguém consegue imaginar isso, os fanáticos tentam se enganar, mas estão aprisionados na idiotice de seus pensamentos, nunca conseguirão pensar além daquilo que lhes é pregado e, assim, qualquer palavra dita se torna uma verdade absoluta para eles: os Neandertais do século XXI.
Acontece de perder o rumo, de querer fugir. Mas acontece de querer e ter que encarar as situações. Como eu já disse em algum outro texto, não rezo para que Deus me proteja e me dê saúde, rezo para que Ele exista. Simplesmente, porque não consigo entender o conceito de Deus me curar e não curar outras pessoas. De Deus me livrar de todo o mal e o mal assombrar outras pessoas. Tenho vergonha de pedir: cure-me, ajude-me, sabendo eu que há um limite para minha existência carnal e que há um limite para todos os outros mortais. Eu não estou sozinha, ninguém está.
Se existe um Deus, Ele colocou as pessoas no mundo para se ajustarem e ajustarem o mundo. Mas elas (nós) não conseguem (mos). É o livre arbítrio! Há regras e leis, classes e categorias, subdivisões de uma mesma espécie. Há um desajuste sem fim. No entanto, a humanidade é livre para fazer o que quiser. Só valeria a pena existir se houvesse um julgamento. Caso contrário, a diferença entre um assassino cruel e um humanitarista seria nenhuma.

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Concorrência

Posted by Blogueira on 10:55 in , ,

As instituições escolares particulares agora inventaram uma nova: ‘vaga para monitores’. Tenho que ter o diploma universitário para concorrer a uma vaga de trinta (30) horas semanais e para ganhar seiscentos e vinte e dois reais (R$622,00), ou seja, um salário mínimo. Dia desses, fui concorrer a uma dessas vagas, nem sei por que o fiz, pois ganho mil e trezentos (R$1.300,00) para trabalhar vinte e quatro (24) horas semanais. Não tenho o menor problema em falar valores, principalmente quando quero falar mal dessas concorrências. Voltando ao assunto, no dia em que fui concorrer a essa vaga, fiz uma prova, depois de uma semana a psicóloga me ligou para participar de uma dinâmica. Chegando lá, conheci pessoas que tinham mestrado e estavam disputando a vaga como urubus em cima da carniça, algo que não faz o meu perfil. Tive vontade de ir embora, primeiro porque eu já estava desanimada da vaga e segundo porque eu detesto disputar algo como se fosse a conquista da minha vida, sendo que não fazia muita diferença para mim. Às vezes, fico imaginando o quê os psicólogos avaliam nessas dinâmicas, porque, sempre que eu participo delas, ou não faço o perfil ou nem me dão resposta depois. Não acho que em um ‘joguinho’ dinâmico possam avaliar a profissional que eu sou dentro de uma empresa, meu caráter e como eu interajo com meus alunos. Enfim... como sempre, não me deram resposta sobre a vaga. Pode parecer desdém para quem não me conhece, mas achei foi bom.
Outro dia, participei de uma prova (que mais parecia um vestibular) para monitor em um colégio superfamoso por aqui. Uma semana depois, me convidaram para conversar com o coordenador de Literatura do colégio. Chegando lá, ele me deu dois textos muito bem escritos de alunos e pediu para que eu os avaliasse e, de acordo com a minha avaliação, desse a nota. Sendo assim, dei o meu parecer sobre o texto e minha nota. Ele me disse que concordava com tudo o que eu havia dito sobre o texto, mas que achava que eu tinha sido benevolente demais com a nota. Se ele concordava com o que eu havia dito sobre o texto, deveria ter concordado com a nota, pois ela estava de acordo com o bom texto que eu havia lido. Não preciso nem dizer que não fiquei com a vaga, não é mesmo? (risos) Pelo menos dessa vez não tinha uma psicóloga com ‘cara de cu’ avaliando minha postura, minhas roupas e a forma como eu converso. Aliás, em um colégio particular que trabalhei como estagiária, a psicóloga cortou o acento da palavra ‘diário’ do meu ‘diário de bordo’. Será que ela acha que ‘diário’ não tem acento? Vai saber... (risos)
Devo dizer que não gosto de estudar, não condeno os alunos. Gosto de ler e, se eu pudesse, passaria minha vida lendo Literatura. Odeio ser avaliada ou testada. Nunca gostei da escola, sou péssima em Matemática, Química e Física. Agora, se eu quiser ganhar um pouco mais, tenho que encarar essa ‘onda’ de concursos públicos. Mas, devo afirmar, sou uma péssima concurseira. Ontem mesmo, dormi ouvindo em Mp3 uma matéria muito chata do concurso da Polícia Federal, já até sei que não vou passar, pois ou eu estou sempre com preguiça para ler as matérias ou estou animada e durmo quando começo a ler. O que vai acontecer é eu gastar cento e vinte e cinco reais (R$125,00) da inscrição, uma das mais caras, por sinal. Mas a esperança é a última que morre e a concorrência é até pouca, pois dos milhares que fazem um concurso, poucos sabem que ‘diário’ tem acento agudo no A. (risos)


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