“Minhas tardes com Margueritte”

Tudo passa...




Afinal, o que é ser humorista?
O país foi invadido por uma onda de humoristas oportunistas que se denominam humoristas. Um bando de gente sem graça que cria show’s, os quais dão o nome de ‘stand up’ e saem ganhando rios de dinheiro à custa de gente que não sabe distinguir piada de palhaçada.
Na verdade, acho até que minha comparação de piada com palhaçada está equivocada, pois ser palhaço é um dom, uma outra categoria de fazer rir e até mesmo chorar. São poucos os artistas capazes de explorar o patético (não no sentido popularizado, mas sim, dicionarizado). Ser humorista já é diferente, pois o humorista explora o engraçado, explora tudo aquilo capaz de fazer as pessoas rirem ou, simplesmente, sorrirem. Levando em consideração o que acabei de dizer, gostaria de entender qual o efeito de sentido tornaria engraçada a frase “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia… Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço.”, qual a graça? 1) Mulher feia tem que ser estuprada? 2) Mulher feia tem que agradecer os estupradores? 3) Estupradores devem estuprar cada vez mais, pois as mulheres feias agradecem? 4)Estupro não é crime? Como assim? Alguém pelo amor de Deus me explique qual o senso de humor (que seja negro) gerado nessa piada, por que eu, sozinha, não consigo compreender. Não mesmo... Para mim é apologia ao crime e não vejo de outra maneira.
Infelizmente, a ‘magnifica’ frase citada neste humilde texto é de um cara com mais de três milhões de seguidores no Twitter, um cara que possui um espaço na televisão brasileira, um cara que faz muitos show’s Brasil afora. Infelizmente, a frase é desse cara. A frase não é de um cara anônimo, bobão e sem estudo. A ‘inteligentíssima’ frase é de Rafinha Bastos, um dos maiores otários da televisão na atualidade e, o pior, é que tem fama de talentoso humorista da nova geração.
Tenho orgulho de dizer que já tentei assistir “CQC”, mas não consegui manter minha concentração nem por quinze minutos. Primeiro, porque não acho válido ficar mostrando vídeos e rindo dos vídeos sentados numa bancada. Não vejo graça nisso. Os vídeos são engraçados e os imbecis do “CQC” fazem algum comentário debochando dos vídeos. Segundo, aquelas entrevistas com os artistas que “enchem o saco” de qualquer pessoa não têm a menor razão de ser. Então, já que o Rafinha “Bosta” acha tudo que ele diz e pensa uma grande piada, já que faz apologia ao crime e fica por isso mesmo, acredito que os artistas têm mais é que fazer como o Paulinho Vilhena: cuspir na cara desses trouxas que pensam serem humoristas, sem dó nem piedade. Ou quem sabe fazer como o Netinho fez com o Vesgo (Humorista marrom do Pânico) enfiar um soco na cara. Afinal, tudo é uma grande brincadeira, ou melhor, uma boa piada estilo “CQC”.
Imagem: Rosto do Rafinha Bosta

Tenho um aluno que sempre chega aos dez minutos finais da minha aula. Mas, por incrível que possa parecer, é meu melhor aluno. Estranho? Sim. Nem eu fazia ideia de que tinha um aluno assim, porque existem coisas que a gente só percebe com a convivência.
Ele sempre copia a matéria de algum colega de sala e pega sempre os momentos finais das correções dos exercícios ou das minhas explicações que 99% dos alunos não entendem nada, pelo menos é o que sempre me dizem. Ele não faz perguntas e, até ontem (31/08/2011), era apenas mais um aluno que eu considerava fatigado de escola e que acha que conhecimento é desnecessário. Até ontem, eu estava errada.
A grande surpresa, que até me entusiasmou para sorrir para a vida, se deu quando o aluno chegou um pouco mais cedo do que de costume, puxou uma cadeira ao lado da minha mesa, enquanto seus colegas quebravam a cabeça para resolver um exercício simples. Quando percebi, eu estava conversando de igual para igual sobre Literatura com o aluno. Parecia um colega de profissão, daqueles apaixonados pelos mesmos assuntos que a gente. Há tempos não sinto um entusiasmo tão forte por um aluno. Aliás, acredito que nunca senti, pois, todos os alunos que tive até hoje, nunca me trouxeram nada de novo e nunca gostei de ‘trocar ideias' com eles. Pode até ser um defeito meu, mas ando sempre procurando algo para me acrescentar e, não, para diminuir minha autoestima ainda mais.
Por favor, Deus, me dê de presente mais alunos que me façam sentir vontade de experimentar ‘trocar ideias’. Mesmo que eles cheguem atrasados todos os dias.
Imagem: Google
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