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"O animalzinho que somos..."

Posted by Blogueira on 18:38 in , ,

O livro “Ensaio sobre a cegueira” (José Saramago) encaixa-se, perfeitamente, ao momento que estamos vivendo. Afinal, nós (humanidade) parecemos estar cegos, como diria o IMORTAL Saramago: “Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”. Não há nada que possamos afirmar acima desta citação, que está no livro. Quando o li em 2007 fiquei bastante sufocada, porque o livro é sufocante. Ao mesmo tempo, libertador. Complexo? Sim, por que não dizer que a vida é complexa? Todos sabemos disto, mas preferimos as antigas fórmulas para encarar a realidade. Não há nada pior do que viver em uma sociedade desigual e perdida que talvez nunca se encontre. Estamos dentro de uma ficção de Saramago! Estamos assustados e cegos.



Tempos depois, aparece Fernando Meirelles e nos aterroriza com o filme, que é uma leitura do grande diretor em relação ao livro. Mas bem que poderia ser o próprio livro a se transfigurar em nossa frente e, assim, ficamos paralisados diante a realidade nua e crua daquilo que somos, porque, simplesmente, estamos cegos. Cegos de burrice, cegos de falta de compaixão, cegos de desamor, cegos de atos e omissões, cegos de inveja e cobiça. Nada mais que cegos, cegados por nossas próprias atitudes.
Recomendo livro e filme com a falta de entusiasmo de quem assiste de camarote à própria destruição. Destruição toda nossa, pois fazemos parte da mesma humanidade cega!


“Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.” (Saramago)







(Imagens: Google)

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Apenas um pretexto...

Posted by Blogueira on 15:47 in ,

"Apesar das minhas fragilidades, avanço". (Lya Luft)



Estamos preparados para uma grande perda? Esta é a principal questão dos filmes “O amor acontece” e “Os garotos estão de volta”. Em cada filme há um bonitão que perde sua esposa. Em “O amor acontece” ocorre um grave acidente e a esposa do bonitão morre. Em “Os garotos estão de volta” a esposa do bonitão é vítima de um câncer fatal. A partir de uma perspectiva muito pessoal e até um pouco amarga, penso que esses filmes só servem para fazer as pessoas acreditarem em contos de fadas. Homens pra lá de sensíveis e apaixonados colocados em xeque no mais profundo de seus sentimentos, algo realmente surreal. Pois, os homens não são tão sensíveis assim e, tão pouco, demorariam tanto a se recuperar das perdas como ocorre em ambos os filmes.



Apesar de as tristezas dos personagens nos filmes nos fazerem até chorar “se bobear” é algo realmente inexistente. Eu não poderia deixar de expor o meu desencantamento, mas é que tenho acreditado muito pouco ou quase nada em pessoas. Na verdade, falar sobre os filmes foi apenas um pretexto para deixar clara a minha posição de como as pessoas (sem generalizações) são estupidamente vazias, o que me incomoda um pouco. Mas eu até recomendo os filmes, porque são uma bela água com açúcar para tardes frias de solidão (não esquecendo que estamos no verão, é bom esperar até o inverno para assisti-los). Enfim, deixo registrado que os homens (nem mulheres) são tão sensíveis como apontados nos filmes. Deixo registrado também que os filmes possuem aspecto popular ao extremo, portanto, têm uma boa aceitação do público, que gosta de dramas e romances.




(Imagem: Google)



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Viver de fato

Posted by Blogueira on 15:03 in ,


Existe um fator que permeia a imaginação de quase todas as pessoas: se elas tivessem a oportunidade de saber quanto tempo de vida têm, o que fariam neste período? Eu ficaria tão estática com a notícia da minha morte que não teria muitas reações. Também acho que para realizar sonhos de uma vida é preciso ter bastante dinheiro. Por este motivo, decidi explanar meus pensamentos sobre dois filmes que possuem a mesma temática: vida com os dias contados. O primeiro é o filme “As férias da minha vida” e o segundo “Antes de partir”. O primeiro trata da história de uma mulher super-recatada que nunca havia vivido intensamente, até que descobre que está supostamente doente em estágio terminal e decide viver as emoções que sempre sonhou, para isto, utiliza todo o dinheiro de sua conta bancária que ajuntou durante toda a vida. O segundo trata do encontro entre um megaempresário e um humilde mecânico fascinado por História e livros, ambos têm pouquíssimo tempo de vida e graças ao dinheiro do megaempresário podem viver emoções incríveis que seriam o desejo de qualquer mortal. Ambos os filmes poderiam muito bem passar por um roteiro de “Sessão da Tarde”, mas penso que o segundo rompe a lógica estigmatizada da autoajuda para se transportar em um sentido mais literário em que a arte imita a vida. Entendo também que o cumprimento da lista traçada pelos personagens no segundo faz com que o enredo seja mais sedutor e forte que o primeiro, que sob esta ótica acaba sendo apenas uma “forcinha” para quem está triste. “Antes de partir” mostra que mesmo que não haja um final feliz, a felicidade deve ser mais bem repensada. Eu sei também que criar listas é coisa de início de ano, e penso que há tanta coisa por viver e a gente nem dá conta, mas não é preciso fazer listas para saber viver, ou melhor, para viver de fato.


"Estamos todos condenados à morte, mas com um tipo de adiamento indefinido."
(Victor Hugo)


(Imagem: Google)


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Divagações... (Momento Confidência)

Posted by Blogueira on 15:36 in

Desde o início de dezembro (2010), comecei a estudar para um concurso público na minha área. A matéria não é chata, mas como é muito conteúdo, torna-se chata. Estou ligeiramente estressada e de mau humor, mas tento disfarçar, já que o mundo é, muitas vezes, um saco de merda, tenho mesmo que aprender a conviver nele. É mesmo muito difícil praticar a palavra sublinhada, pois todos sempre querem ter razão.

Corrigi muitos textos em 2010 (atuando como corretora/revisora), o que ainda não aprendi foi corrigir os meus próprios textos, muito menos a mim mesma. É uma tarefa árdua viver, mas a vida não é assim, eu sei que não. Às vezes, pergunto às pessoas se elas são felizes e elas me respondem sem pensar: “Sim!”. Queria ter as mesmas certezas. Desconfio, entretanto, que algumas pessoas mentem e , para este tipo de mentira, não há perdão. Embora os demagogos todos do mundo poderiam se unir, me encarar e dizer: “Para todo erro há perdão”. Pura ‘balela’! Afinal, é difícil e, ao mesmo tempo, insólito, perdoar a si mesmo.

Eu e minha parceira de correções de 2010 rimos muito ao receber nosso salário integral, não descontaram nem um centavinho pelas nossas faltas, que não foram poucas. Acho que estamos rindo até agora. Mentira, só eu tenho achado isso muito bom, pois minha amiga costuma achar tudo natural... Embora, ela possa vir a discordar desta afirmação.

No final de junho (2010), eu estava me sentindo como uma bomba relógio, eu não via a hora de o semestre final da faculdade chegar ao fim. Hoje, (apenas 6 meses depois) já sinto falta. Minha parceira de correções de 2010 disse que eu estava sofrendo da “síndrome do ninho vazio”. Agora, que estou me sentindo velha, desprezada, desinteressante, absurdamente incompleta e vazia, qual é mesmo a minha síndrome? Creio que não seja necessário resposta.

Tenho algumas metas para 2011, o que, em se tratando de minha pessoa, é um grande avanço (geralmente não tenho metas). Tenho um prazo curto para cumpri-las, penso que é possível alcançá-las, mas se eu não conseguir, vai ser apenas mais uma vez que vou chorar. Ultimamente, não tenho chorado muito e, quando choro, são poucas as lágrimas, às vezes tenho a impressão de estar forçando o choro, uma espécie de teatro para Deus ou algum anjo bom, como se eu pudesse enganá-los...


"A franqueza não consiste em dizer tudo o que se pensa,
mas em pensar tudo o que se diz."

(Victor Hugo)



(Imagem: Getty Images)


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"McFlurry Alpino"

Posted by Blogueira on 18:14

Decidi criar o espaço “Indicação do Mês” aqui no blog. A indicação do mês pode ser qualquer coisa, desde que seja algo que faça bem para a alma. Pode ser um livro, um disco, um show, uma revista, uma pessoa, um momento... Pode ser qualquer coisa mesmo.
Para iniciar este espaço, decidi indicar o delicioso “McFlurry Alpino”. Posso garantir que os fãs de deliciosas sobremesas vão ficar embasbacados ao provar essa delícia. Pretendo provar os outros sabores todos que inclui “Negresco, Ovomaltine, Suflair”, entre outros, que agora me falha a memória. Nada melhor do que inaugurar um espaço com algo doce. Afinal, doces não poderiam mesmo ter outro nome.


"Felicidade repartida dura eternamente."
M. Tanigushi



(Imagem: Google)

9

Chen Wei-yi

Posted by Blogueira on 12:36 in

Uma mulher taiunesa casou-se consigo mesma. É estranho entender algo assim. Mas, tendo em vista que as relações humanas estão a cada dia menos reais e concretas, é até normal compreender Chen Wei-yi (a taiunesa).
Estamos vivendo na era digital, que poderia muito bem ser chamada de “era do gelo”. Antigamente, quando uma pessoa conhecia outra, pedia o telefone. Atualmente, as pessoas pedem o Msn, Orkut, Facebook ou Twitter. Os tempos mudaram, e as relações humanas, que já eram complicadas, têm se estreitado cada vez mais.
Não é incomum se assustar ao conhecer alguém pessoalmente quando só se conhecia virtualmente. Ou se acha a pessoa diferente demais ou diferente de menos. Tudo isso se deve à imagem “fotoshopada” de cada um. Como diria uma dessas comunidades do Orkut: “No Orkut, todo mundo é bonito”. E é possível acrescentar também: “No Orkut todo mundo é bonito, inteligente, sexy e culto”. Quer mais? É, tem muito mais. Por causa de todos estes mais, o mundo ainda vai se deparar com muitas Chen Wei-yi.



"Um bom casamento seria entre uma esposa cega e um marido surdo" (Honore de Balzac)




(Imagem: Getty Images)

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Não sei mais... (Momento Confidência)

Posted by Blogueira on 20:47 in

Não sei mais o que sinto. Mas é pior do que isto, não consigo me explicar. Às vezes tenho vontade de me enfiar dentro de mim e dizer: - Ei, tem alguém aí? – Às vezes sinto que vou desmoronar, mas logo me lembro de que não sou uma muralha e, certamente, jamais seria possível desmoronar. A verdade é que não sei mais quem eu sou. Olho minhas fotos, olho-me no espelho e não me reconheço, estou realmente diferente da imagem que criei de mim. Vejo rugas antes inexistentes, cabelos descoloridos antes imperceptíveis começam a fazer parte do meu perfil. Sinto-me em um envelhecimento precoce de maneira tal que não me lembro de mais nada da juventude recente. Estou em um processo que não tem mais volta. Afinal, a vida segue seu trajeto, eu sou apenas um corpo ambulante. Não sei se quero estar aqui. Inúmeras coisas deixaram de fazer sentido e, quando até os sonhos se fazem ausentes, é a verdadeira hora em que a vida não faz mais sentido. Talvez me deem bons conselhos que vou tentar seguir, talvez me indiquem um livro ou um filme. Talvez o médico me receite um bom remédio. Mas até quando os paliativos poderão me tapear? Parece uma dor física, porém, é mais ingrata, porque se fosse física eu saberia o limite dos paliativos. Sei onde estou, mas quisera não saber. O problema nunca foi não saber onde estou, mas, sim, para aonde irei. A certeza da inexistência de fórmulas mágicas só aumenta minha incredulidade de que as coisas vão terminar bem. Talvez eu quebre alguns pratos e copos e coloque a culpa na minha distração. Não posso mais delimitar a tênue linha entre meu eu de agora e meu eu de depois.


"(...) Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!(...)
(Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha)



(Imagem: Getty Images)

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